Por que é tão difícil parar de rolar o feed: adolescência e o vício em dopamina.

Já aconteceu de você ir olhar o Instagram rapidinho e de repente, já foram horas do seu dia? Se sim, isso tem nome: dopamina.

A dopamina é uma substância no nosso cérebro, que ajuda os nossos neurônios a se comunicarem, uma espécie de mandar mensagem um para o outro, por isso, a dopamina ficou conhecida como neurotransmissor – ou seja, uma substância que transmite mensagens entre os outros neurônios. Ela está ligada a funções como:

  • Prazer
  • Motivação
  • Tomada de decisões

Ela é essencial para nossa saúde (sem ela podemos ter doenças, Parkinson é um exemplo) mas em excesso, e de forma errada, pode nos viciados em estímulos rápidos, como o Instagram.

A grande questão é: por que está ligada as redes sociais. Bom, cada vídeo, curtida, comentário – libera um pouco de dopamina, e o negócio começa a ficar difícil quando o cérebro fica querendo mais e mais. E essa é uma dopamina fácil, porque ela vem rápido e vai rápido (conhecida como dopamina barata), mas não te traz nada de verdade e duradouro. Estudar, ler ou outras atividades mais ‘lentas’, começam a ficar difíceis e chatas.

Mas por que isso acontece com tanta intensidade, principalmente entre adolescentes? A resposta está na neurociência. O cérebro adolescente ainda está se formando. A parte que ajuda a controlar impulsos, pensar antes de agir e manter o foco (chamada córtex pré-frontal) – ainda não está 100%. É por isso que, nessa fase, a gente se deixa levar mais fácil por coisas que dão prazer na hora , como rolar o feed, rever uma curtida ou comer um chocolate. Nessa fase da vida, o cérebro está com o sistema de recompensa no modo turbo. Isso significa que o prazer de ver um vídeo, ganhar curtidas ou abrir o tiktok é ainda maior. E quanto mais prazer você sente, mais o cérebro vai se acostumando só com o que é fácil, rápido e cheio de dopamina. Estudar, ler ou até conversar começa a parecer chato. Isso tem nome: plasticidade cerebral.

Ou seja, o cérebro vai se moldando aos seus hábitos, quanto mais dopamina barata ele recebe, mais difícil fica gostar das coisas que exigem paciência.

Algo importante que pouca gente sabe é que o cérebro do adolescente nem sempre decide com a razão. Isso porque a parte racional, o Cortex pré-frontal, ainda está em desenvolvimento. Enquanto isso, quem costuma mandar é o sistema límbico, a parte do cérebro que cuida das emoções. Então , quando você abre o Instagram ou o tikto, não é só pela dopamina, mas também pelas emoções, seja o tédio, felicidade, tristeza, qualquer emoção – é aí que o cérebro, sem pensar muito, busca uma solução rápida. É aí que entra o feed infinito, que para aliviar, mas os por alguns segundos.

Mesmo que não seja considerado um “vício” oficial, o uso exagerado das redes sociais tem sintomas muito parecidos com o vício, como:

  • Difícil parar
  • Ansiedade quando está longe do celular
  • Sensação de que nunca é o suficiente

Além disso, estudos mostram que esse uso intenso pode aumentar problemas como a ansiedade, insônia e até depressão, principalmente quando a gente vive se comparando com os outros.

A dica dos especialistas? Encontrar um equilíbrio, não é sobre largar tudo, mas sim cuidar de sua mente – dormir bem, viver coisas fora das telas e até buscar ajuda se for preciso. No fim das contas, quem manda no seu tempo: você ou a dopamina? Pense nisso da próxima vez que abrir o Instagram “rapidinho”.

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